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Manifestação de vigilantes fecha banco


João Pedro Pitombo | A TARDE

A agência 3114 do Banco Itaú, na Avenida Tancredo Neves, na quinta-feira, 26, encerrou o expediente 50 minutos antes do previsto. Eram 15h10, quando os apitos sibilaram na entrada da agência bancária acompanhados pelo coro de palavras de ordem. Os manifestantes do Sindicato dos Vigilantes, que chegam nesta sexta-feira, 27, ao quarto dia de greve, convocaram os três seguranças que davam expediente no local a deixarem os seus postos. Protesto feito, pedido atendido. E as portas do banco se fecharam.

Quem tinha operações bancárias a fazer ficou impedido. Foi o caso do auxiliar administrativo Edilson Fernandes, que tinha de fazer um saque de R$ 1,6 mil para a empresa em que trabalha. O dinheiro seria usado no pagamento de fornecedores. “É uma situação complicada para a gente. Os bancos tinham de tomar providências para manter o funcionamento normal durante a greve”, critica Fernandes.

O caso não foi isolado. Nas ruas desde às 8h da amanhã, os vigilantes percorreram mais de 20 km, num roteiro que partiu do bairro de Nazaré e terminou na Avenida Magalhães Neto, gerando engarrafamentos nas principais avenidas da cidade. “Reconheço que é incômodo para a população, mas temos que alertá-los sobre as nossas condições precárias de trabalho”, explica José Boaventura, presidente do Sindicato dos Vigilantes da Bahia (SindVigilantes). A passeata, segundo estimativas da Polícia Militar, teve participação de cerca de 600 trabalhadores.

Bancos – Com a adesão dos vigilantes, a greve alterou o funcionamento das agências bancárias, que tiveram posturas distintas perante o movimento. No caso das instituições públicas, a Polícia Federal recomenda o fechamento das agências que não tiverem condições de segurança. O Banco do Brasil funcionou parcialmente.

A assessoria de imprensa do Banco do Brasil informa que algumas agências podem estar funcionando parcialmente, desde que haja condições de segurança para isso. Nos casos em que as agências estiverem fechadas, a recomendação é optar pelo atendimento nos caixas eletrônicos, telefones ou internet.

Nos bancos privados, a situação é diferente. Muitos deles funcionaram sem a presença de vigilantes, segundo o Sindicato dos Bancários do Estado da Bahia. “Eles insistem em manter as agências abertas e estão colocando bancários para controlar o acesso. Estão expondo os funcionários”, denuncia o diretor do Sindicato dos Bancários, Adelmo Andrade.

Outros bancos estão adotando uma outra estratégia, mantendo os funcionários dentro das agências fechadas, com a suspensão apenas do atendimento ao público. “Os ladrões veem o movimento e imaginam que o local está em funcionamento”, alerta o vice-presidente do sindicato, Emanuel Souza.

O Sindicato dos Bancários informa que comunicou a situação à Secretaria da Segurança Pública e às diretorias regionais de todos os bancos.

Negociação – O SindVigilantes estima que 70% dos 30 mil trabalhadores do setor aderiram à greve. Esta sexta-feira será o primeiro dia de negociações com os empresários após o início da greve, em reunião mediada pela Delegacia Regional do Trabalho.

Os trabalhadores deverão apresentar uma pauta com 49 itens. A principal reivindicação é o reajuste de 18% do salário – o piso é R$ 550. Além disso, a categoria cobra um adicional de periculosidade de 30%, plano de saúde e aumento do tíquete alimentação de R$ 5,50 para R$ 14.


*Colaborou Donaldson Gomes

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